
Hélio Melo de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 1919. Formou-se em engenharia civil e elétrica pela Escola Politécnica (agora pertencente à UFRJ). Ainda estudante, destacou-se pela realização do primeiro censo universitário do país, cujos dados foram encaminhados ao Serviço Nacional de Recenseamento do IBGE. Em 1941, elegeu-se presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade do Brasil e, em setembro de 1942, assumiu a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Nessa época, os estudantes intensificaram o movimento pelo fim da neutralidade do Brasil na Segunda Guerra Mundial, defendendo o rompimento das relações diplomáticas com as potências do Eixo. Hélio participou ativamente dessa mobilização, sendo um dos organizadores da grande passeata a favor da declaração de guerra, realizada no Distrito Federal em 4 de julho de 1942, que contou com o apoio de figuras como Osvaldo Aranha. A posição do Brasil, no entanto, não era unânime: Filinto Müller, então chefe de polícia, tentou proibir a manifestação. Esse episódio gerou uma crise interna no governo Vargas, resultando no afastamento de autoridades civis simpatizantes do Eixo e aumentando a pressão por um posicionamento oficial antinazista.
Mesmo antes de presidir a UNE, Hélio foi uma das lideranças estudantis que reivindicaram formalmente a Getúlio Vargas a cessão do prédio nº 132, na Praia do Flamengo. O edifício foi ocupado pelos estudantes e transformado em um quartel-general da campanha pró-Aliados e no combate a grupos simpáticos ao fascismo.
Sua eleição para a presidência da entidade ocorreu em meio a disputas políticas no contexto do governo Vargas. Apoiado pelo então presidente da UNE, Luís Pinheiro Paes Leme, por estudantes comunistas e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, Hélio venceu, por pequena margem, Sebastião Pinheiro Chagas, candidato endossado pelo núcleo conservador carioca e por setores ligados ao ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra. Durante sua gestão na UNE, promoveu a “Campanha Universitária Pró-Bônus de Guerra” e a “Campanha Pró-Aviões”, que arrecadou fundos para doar três aeronaves de treinamento às Forças Armadas. Além disso, criou o semanário Movimento e inaugurou, em 6 de dezembro de 1942, o primeiro restaurante universitário do país, na sede da entidade.
O mandato de Almeida foi marcado pela chamada “segunda grande crise da UNE”. Em 1º de abril de 1943, o Ministério da Educação publicou a Portaria nº 225, determinando a instalação da Juventude Brasileira, organização inspirada em modelos fascistas europeus, na sede da UNE, e transferindo a administração do prédio para seu secretário-geral. Em protesto, Almeida renunciou à presidência em 3 de abril. A forte mobilização estudantil levou o ministro Gustavo Capanema a propor a revogação da portaria, sob a condição de que Almeida não reassumisse o cargo. Sua saída desencadeou uma disputa sucessória entre os paulistas, que exigiam a posse do primeiro vice-presidente, José Julianelli, e a manutenção do secretário-geral, Tarnier Teixeira, que acabou permanecendo na presidência até o fim da gestão.
Após deixar o movimento estudantil, Hélio construiu uma carreira na engenharia ferroviária, atuando na implantação de sistemas de sinalização e controle de tráfego. Na vida pública, foi ministro da Viação e Obras Públicas entre 1962 e 1963, no governo João Goulart. Com o golpe de 1964, passou a presidir o Clube de Engenharia, mantendo postura de oposição à ditadura militar. Eleito deputado federal pelo MDB da Guanabara em 1974, exerceu o mandato de 1975 a 1979; nesse período, em 1978, apresentou um projeto de lei que propunha a recriação legal da UNE. Posteriormente, dedicou-se a atividades empresariais. Hélio Melo de Almeida faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de abril de 2002.
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Almeida, Hélio Melo de. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/helio-melo-de-almeida. Acesso em: 2 set. 2026.
MÜLLER, Angélica. Entre o Estado e a sociedade: a política de juventude de Vargas e a fundação e atuação da UNE durante o Estado Novo. 2005. 131 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004.
Fontes da Imprensa / periódico online
MÜLLER, Angélica. Quando a UNE, pela autonomia, dobrou Getúlio Vargas. Portal Vermelho, 28 set. 2007. Disponível em: https://vermelho.org.br/2007/09/28/artigo-quando-a-une-pela-autonomia-dobrou-getulio-vargas/. Acesso em: 15 set. 2026.
Fontes documentais:
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES. Relatório das atividades realizadas no período de 26/09/1942 a 3/03/1943 apresentado ao VI Conselho Nacional de Estudantes pelo acadêmico Hélio de Almeida presidente da UNE durante aquele período. Rio de Janeiro, 1943. Fundo Serviço de Comunicações do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, Arquivo Nacional.
