
Genival Barbosa Guimarães nasceu em março de 1924, na Paraíba. Realizou os estudos no Grupo Escolar Tomás Medeiros e no Liceu Paraibano, onde concluiu o curso pré-engenharia. Iniciou sua atuação no movimento estudantil no Centro Estudantil do Estado da Paraíba, do qual foi diretor e vice-presidente, e participou da mobilização em defesa da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Em 1945, mudou-se para Recife para ingressar na Escola de Engenharia e, já no primeiro ano, foi eleito para o Diretório Acadêmico. No ano seguinte, participou do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) e, em 1948, assumiu a presidência da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). Vinculado à Esquerda Democrática, participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN) na Paraíba e acompanhou a transformação daquele grupo no embrião do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Em abril de 1948, foi eleito presidente da UNE durante o 11º Congresso Nacional de Estudantes, dando continuidade à chamada “fase de hegemonia socialista” iniciada na gestão de Roberto Gusmão. Sua eleição contou com forte apoio das delegações do Nordeste, do Norte, do Sul e de parte de Minas Gerais, tendo recebido 320 votos contra 78 de seu adversário, Thales Alves de Almeida. À frente da entidade, deu continuidade à campanha nacionalista “O Petróleo é Nosso”, articulada por meio das uniões estaduais vinculadas à UNE.
Durante a sua gestão, destaca-se a criação dos Centros Regionais de Defesa do Petróleo e a participação das entidades estudantis de diferentes estados na mobilização, que contribuiu para ampliar a campanha em defesa do monopólio estatal sobre o petróleo. Posteriormente, foi reconhecido como presidente de honra do Centro Nacional de Defesa do Petróleo, ao lado de outras lideranças da campanha.
Sua gestão ocorreu em meio a repressão política durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, após a cassação do registro do Partido Comunista do Brasil e dos mandatos de seus parlamentares. Nesse contexto, a sede da UNE, na Praia do Flamengo, foi interditada pela polícia durante os protestos contra o aumento das tarifas dos bondes no Rio de Janeiro. Apesar das tentativas de resistência à ocupação policial, a tropa especial ocupou o edifício e determinou a prisão dos estudantes, levando à transferência temporária das atividades da UNE para a Faculdade Nacional de Direito. Pouco depois, Guimarães também participou do Congresso da Paz, episódio que aprofundou as divergências políticas no interior da entidade.
Em meio às disputas internas e às pressões decorrentes da conjuntura política, Guimarães apresentou sua licença ao Conselho Nacional dos Estudantes quando ainda faltavam cerca de dois meses e meio para o término de seu mandato. A presidência foi então assumida por seu vice-presidente, Paulo de Mayo, enquanto ele permaneceu ligado às atividades do Centro Nacional de Defesa do Petróleo. O afastamento também foi acompanhado por problemas de saúde que se agravaram nos anos seguintes.
Após deixar a UNE, retomou os estudos e, posteriormente, formou-se engenheiro. Ingressou no Ministério da Viação e Obras Públicas e participou da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), ao lado de Celso Furtado, tornando-se o primeiro diretor do Departamento de Transportes da instituição.
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Guimarães, Genival Barbosa. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/guimaraes-genival-barbosa. Acesso em: 4 set. 2026.
POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004.
Fontes Orais
GUIMARÃES, Genival Barbosa. Entrevista concedida a Angélica Müller, em 1 fev. 2007. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.
Fontes da Imprensa
[CONSELHO Nacional dos Estudantes] O Globo, Rio de Janeiro, 8 abr. 1948. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.
