Rogê Ferreira. Acervo da Câmara dos Deputados.

José Antônio Affonseca Rogê Ferreira nasceu em São Paulo, em 10 de janeiro de 1922. Estudante da Faculdade de Direito de São Paulo, destacou-se na liderança estudantil e presidiu o Centro Acadêmico XI de Agosto entre 1947 e 1948. Nesse período, participou ativamente das mobilizações em defesa do monopólio estatal do petróleo e publicou o Manifesto à Nação, em defesa da exploração nacional do recurso. Em 1947, também esteve à frente, em São Paulo, do lançamento da campanha “O Petróleo é Nosso”, realizada em paralelo à mobilização conduzida pelo então presidente da UNE,  Roberto Gusmão, no Rio de Janeiro.

Em 1949, Rogê Ferreira foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, no mesmo ano, assumiu a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE), durante o Congresso Nacional dos Estudantes realizado na Bahia. Sua eleição ocorreu em um contexto de disputa política no interior do movimento estudantil, marcado pela continuidade da chamada “fase de hegemonia socialista”, período em que estudantes ligados ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) ocupavam as principais diretorias da UNE. 

O congresso em que foi eleito é um dos mais memoráveis da história da UNE. O 12º congresso ocorreu na Bahia em 1949. O congresso contou com a presença de uma organização fascista chamada Cade, convidados pelos liberais da oposição que estavam decididos a ganhar o congresso e dar fim à hegemonia socialista. Os liberais perderam com a vitória de Rogê Ferreira para a presidência da UNE. 

À frente da UNE, Rogê Ferreira deu continuidade à campanha nacionalista “O Petróleo é Nosso”. Entre 1949 e 1950, também presidiu o Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, mantendo sua atuação em defesa do monopólio estatal e do nacionalismo econômico. Assim como seu antecessor, Genival Barbosa Guimarães, não concluiu o mandato à frente da UNE. Diante de divergências internas, renunciou antes do término da gestão, levando à convocação de uma reunião extraordinária do Conselho da UNE, composto pelos presidentes das uniões estaduais, que elegeu José Frejat para completar o período.

Após deixar o movimento estudantil, Rogê Ferreira iniciou carreira política pelo PSB. Elegeu-se deputado federal por São Paulo em 1954 e novamente em 1962, integrando a Frente Parlamentar Nacionalista e atuando em pautas relacionadas ao nacionalismo econômico e aos direitos trabalhistas. Teve o mandato cassado em abril de 1964 pelo Ato Institucional nº 1 e afastou-se da vida pública, dedicando-se à advocacia. Com a redemocratização, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) e, posteriormente, retornou ao PSB, pelo qual chegou a disputar a prefeitura de São Paulo. Rogê Ferreira faleceu na capital paulista, em 29 de junho de 1991.

Referências

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Ferreira, José Antônio Afonseca Rogê. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/jose-antonio-afonseca-roge-ferreira. Acesso em: 4 set. 2026.

POERNER, Arthur José. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: [s. n.], 2004.

Fontes Orais

GUIMARÃES, Genival Barbosa. Entrevista concedida a Angélica Müller, em 1 fev. 2007. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

Memoriais, Institutos e Sites Institucionais

BRASIL. Câmara dos Deputados. Rogê Ferreira. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, [20–]. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/discursos/escrevendohistoria/destaque-de-materias/Sao-Paulo-Roge-Ferreira.pdf. Acesso em: 4 set. 2026.