
Augusto Cunha Neto nasceu em 19 de fevereiro de 1929, em Cataguases (MG). Ao ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), iniciou sua trajetória no movimento estudantil. Oriundo de uma família com tradição política udenista em Minas Gerais, atuou como conselheiro do Diretório Estadual da União Democrática Nacional (UDN) em São Paulo e presidiu o Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
Em 1954, foi lançado pela União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo à presidência da UNE como o candidato da direita, sendo eleito no 17º Congresso da entidade. Logo após assumir o cargo, Cunha Neto foi instado a apoiar uma conspiração para a derrubada do então presidente da República, Getúlio Vargas. No entanto, recusou-se a aderir à manobra, alegando que a UNE não poderia endossar uma atuação golpista. Essa postura legalista resultou em seu isolamento por parte das correntes udenistas e anticomunistas, o que acabou por aproximá-lo dos setores de esquerda do movimento estudantil.
Foi durante a sua gestão que a desestabilização do governo Vargas atingiu o ápice, sobretudo após o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, principal figura da UDN e líder da juventude anticomunista, fato que contribuiu para a intensificar a crise política que culminou no suicídio de Vargas. Por manter sua posição contrária à ruptura institucional, Cunha Neto passou a ser duramente criticado pelo governo sucessor, do presidente Café Filho.
Ainda em seu mandato, a UNE organizou o “Mês da Reafirmação Democrática” em março de 1955, em homenagem aos dez anos do assassinato do estudante Demócrito de Souza Filho. O jovem havia sido morto pelas forças policiais comandadas por Etelvino Lins, interventor federal em Pernambuco à época. Quando a UDN lançou o nome de Etelvino como pré-candidato à Presidência da República naquele mesmo ano de 1955, a UNE sob o comando de Cunha Neto reagiu prontamente. A entidade estendeu um gigantesco retrato do mártir estudantil na fachada de sua sede e deflagrou uma campanha contra Etelvino Lins, forçando a UDN a retirar sua candidatura.
Ao concluir seu mandato na UNE, Cunha Neto formou-se em Direito pela USP e ingressou no Banco do Brasil. Posteriormente, retornou a Cataguases, onde passou a advogar. De volta a Minas Gerais, participou da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e elegeu-se vereador no município por cinco mandatos consecutivos, entre 1966 e 1983. Com o fim do bipartidarismo em 1979, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), legenda pela qual continuou exercendo a vereança, sendo eleito presidente da Câmara Municipal em 1983. Paralelamente à política, também presidiu a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Cataguases.
Augusto Cunha Neto foi assassinado em fevereiro de 1983, em um crime de motivações políticas.
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
ARAÚJO, Maria Paula. Memórias estudantis, 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará; Fundação Roberto Marinho, 2007.
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Cunha Neto, Augusto. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/cunha-neto-augusto. Acesso em: 4 set. 2026.
MATTOS, André Luiz Rodrigues de Rossi. Radicalismo de esquerda e anticomunismo radical: a União Nacional dos Estudantes entre 1945 e 1964. 2013. Trabalho acadêmico – Universidade Estadual Paulista (UNESP), [S. l.], 2013. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/93354. Acesso em: 4 set. 2026.
POERNER, Arthur José. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: [s. n.], 2004.
Memoriais, Institutos e Sites Institucionais
MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL; FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO. Augusto Cunha Neto [fotografia]. [S. l.]: MME; Fundação Roberto Marinho, [20–].
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Augusto Cunha Neto. Rio de Janeiro: UNE, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/augusto-cunha-neto. Acesso em: 4 set. 2026.
Fontes da Imprensa
ACERVO O GLOBO. [União Nacional dos Estudantes]. Rio de Janeiro: O Globo, 3 maio 1955.
ACERVO O GLOBO. [União Nacional dos Estudantes]. Rio de Janeiro: O Globo, 30 jul. 1955.
ACERVO O GLOBO. [União Nacional dos Estudantes]. O Globo, Rio de Janeiro, 6 fev. 1983. p. 9.
