Aldo Arantes, durante entrevista para a imprensa, em 10 de outubro de 1961. Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Aldo da Silva Arantes nasceu em 20 de dezembro de 1938, em Anápolis, Goiás. Ingressou no curso de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e ali iniciou sua militância no movimento estudantil. Integrou a Juventude Universitária Católica (JUC) e presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE). 

Foi eleito presidente da UNE em 1961, em um Congresso realizado em Niterói. Sua gestão teve início em meio à crise política provocada pela renúncia de Jânio Quadros. Ao lado do governador Leonel Brizola, participou da Campanha da Legalidade, no Rio Grande do Sul, em defesa da posse do vice-presidente João Goulart. Na ocasião, a UNE organizou uma greve estudantil contra o veto dos ministros militares à posse de Goulart e transferiu temporariamente sua sede para Porto Alegre. Em 1962, liderou a campanha pela participação dos estudantes nos órgãos colegiados das universidades na proporção de um terço, com direito a voz e voto. A mobilização culminou na Greve Nacional do 1/3, realizada entre junho e agosto de 1962, que contou com a atuação do Centro Popular de Cultura (CPC) e da Caravana da UNE Volante, e resultou na paralisação da maior parte das universidades do país.

Ainda durante sua gestão, ampliou-se o debate acerca da Reforma Universitária, que apesar de já existir desde 1957 na UNE, foi instigado pelo plano das reformas de base do governo de João Goulart. Sobre o tema foram realizados três Seminários Nacionais de Reforma Universitária, o primeiro em maio de 1961, o segundo em março de 1962 – durante a gestão de Aldo – e o terceiro em 1963, quando ele já não estava mais na presidência da UNE. Aldo Arantes também foi um dos fundadores da Ação Popular (AP) e sua eleição representou o início de uma nova fase na história da UNE, denominada de “grande ascensão católica no movimento estudantil”.

Após o golpe de 1964, Aldo atuou na resistência à ditadura, foi preso em 1968 e novamente em 1976, permanecendo encarcerado até 1979, quando foi beneficiado pela anistia. Posteriormente, exerceu quatro mandatos de deputado federal, participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 como deputado do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), partido na qual atua até hoje. Foi vereador de Goiânia e secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Goiás. Além disso, publicou livros sobre suas memórias políticas e sobre a política brasileira.

Referências:

ARAÚJO, Maria Paula. Memórias Estudantis, 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Fundação Roberto Marinho, 2007.

POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004. 

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Aldo da Silva Arantes. In: CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMP ORÂNEA DO BRASIL. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [s. d.]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/aldo-da-silva-arantes Acesso em: 4 set. 2026.

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES. Aldo Arantes. Rio de Janeiro: UNE, [s. d.]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/aldo-arantes. Acesso em: 4 set. 2026.

[UNIÃO Nacional dos Estudantes]. O Globo, Rio de Janeiro, 8 jan. 1962, p. 17. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.