
Renildo Vasconcelos Calheiros nasceu em abril de 1959, no município de Murici (AL). Iniciou sua militância na década de 1970, quando, ainda secundarista, envolveu-se nas campanhas em prol da redemocratização e da reconstrução das entidades estudantis em Alagoas.
Em 1979, ingressou no curso de Geologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). No mesmo ano, aproximou-se do movimento estudantil universitário e, ainda como calouro, foi eleito delegado para o Congresso de Reconstrução da UNE, realizado em Salvador (BA). Nessa época, vinculou-se à tendência estudantil Viração e ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Na UFPE, presidiu o Diretório Acadêmico de Geologia, e sua crescente projeção política o levou a assumir a presidência do DCE-UFPE e, posteriormente, a secretaria-geral da UNE, em 1983. O ápice de sua trajetória no movimento estudantil ocorreu em 1984, quando foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes durante o 36º Congresso da entidade, no Rio de Janeiro (RJ).
Em sua gestão, Renildo liderou pautas de grande relevância política, com destaque para a intensa mobilização pela devolução do terreno da histórica sede da UNE, na Praia do Flamengo (RJ), que fora invadida e incendiada durante o golpe militar de abril de 1964. Além disso, sob sua liderança, a entidade conquistou a restituição de sua legalidade institucional, marco consolidado por meio de projeto de lei aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente José Sarney.
Seu mandato transcorreu em um momento de acalorados debates no movimento estudantil, sobretudo quanto ao posicionamento da UNE diante da derrota da Emenda Dante de Oliveira, fato que inviabilizou as eleições diretas imediatas para a Presidência da República. Na época, a entidade dividia-se em três correntes de opinião: a vertente “Só Diretas!”, que rejeitava categoricamente a participação no Colégio Eleitoral; um segundo grupo, favorável à participação no pleito indireto; e uma terceira ala, que sustentava que a reorganização de grandes mobilizações populares nas ruas, na mesma proporção da campanha pelas diretas, seria capaz de derrotar o candidato da ditadura. Essa última tese prevaleceu, levando a UNE a integrar o rol de organizações que pressionaram o Colégio Eleitoral, culminando na derrota de Paulo Maluf, candidato apoiado pelo regime militar.
Após o encerramento do mandato na UNE, Renildo integrou a direção regional do PCdoB em Pernambuco e construiu uma longa trajetória na política institucional. Elegeu-se vereador no Recife em 1988 e conquistou cinco mandatos como deputado federal (1990, 2002, 2006, 2018 e 2022). No Poder Executivo, destacou-se à frente da Prefeitura de Olinda (PE), a qual governou por dois mandatos consecutivos, de 2009 a 2017. Atualmente é deputado federal pelo PCdoB-PE e integrante de sua direção nacional.
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Calheiros, Renildo Vasconcelos. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/renildo-vasconcelos-calheiros. Acesso em: 3 set. 2026.
Memoriais, Institutos e Sites Institucionais
ATLAS HISTÓRICO DO BRASIL. União Nacional dos Estudantes (UNE). Rio de Janeiro: FGV, [20–]. Disponível em: https://atlas.fgv.br/verbete/8898. Acesso em: 3 se2026.RENILDO Calheiros. União Nacional dos Estudantes (UNE), São Paulo, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/renildo-calheiros. Acesso em: 3 set. 2026.
Fontes Orais
CALHEIROS, Renildo. Entrevista concedida a Ana Paula Goulart e Angélica Müller. Rio de Janeiro, 7 dez. 2004. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.
Fontes da Imprensa
ACERVO O GLOBO. [UNE]. Rio de Janeiro, [20–]. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/une-21679707. Acesso em: 3 set. 2026.
