Patrícia de Angelis, candidata a presidente da UNE, no 41º Congresso da UNE, realizado na Unicamp (SP). Fotografia: Edson Ruiz. Acervo do Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ).

Patrícia Trindade de Angelis nasceu em Porto Alegre (RS), em 18 de julho de 1968. Cursou o ensino secundário no Colégio Bom Conselho, onde deu início à sua militância política. Em 1984, ano marcado pelas históricas mobilizações das “Diretas Já”, integrou o grêmio estudantil de sua escola e atuou como delegada no Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), realizado em Belo Horizonte, em 1985.

Em 1986, ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dois anos mais tarde, foi eleita presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Com forte inserção no movimento estudantil universitário, passou a articular-se em âmbito nacional e encabeçou uma chapa para a direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), sendo eleita presidente da entidade no Congresso de 1991, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A partir da eleição de Patrícia, a UNE retomou a circulação do jornal Nossa Voz, órgão oficial de imprensa da entidade. Durante sua gestão, ainda foi promovida a realização do VI Seminário Nacional de Reforma Universitária. Este era parte de um ciclo de seminários em ciência e tecnologia nos quais a UNE investiu a sua imagem e presença, o que culminou na aproximação da UNE com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a partir de 1991, e que perdura até hoje. 

A gestão de Patrícia ainda esteve ligada ao acompanhamento de duas pautas congressuais: a votação da  Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a resistência ao fim do Crédito Educativo (Creduc) para os estudantes do ensino superior privado. A pauta da reforma universitária, herdada das gestões anteriores, abriu espaço para que a UNE a defendesse frente ao Congresso Nacional em uma campanha pela mudança das Diretrizes e Bases para a educação brasileira, datada ainda sob legislação aprovada durante a ditadura militar, em 1971. O início da campanha pela mudança da LDB levaria a sua efetiva votação e mudança em 1996. Ademais, os sucessivos cortes do MEC no Creduc durante o governo Collor foram pauta em sua gestão, dado o já crescente número de estudantes universitários em faculdades particulares. 

Sua gestão ainda foi emblemática pela volta de uma estudante filiada à UJS e ao PCdoB à presidência da diretoria da UNE, depois de três gestões sucessivas encabeçadas por presidentes filiados ao PT, de 1987 a 1991. Começaria aí um novo período de liderança  de presidentes da UNE ligados à UJS e ao PCdoB que perdura até hoje, na gestão 2025-2027. 

Após o encerramento de sua gestão, afastou-se da militância partidária e seguiu carreira profissional como professora de sociologia na rede municipal de ensino de Porto Alegre. Em 2005, concedeu depoimento ao projeto memória do movimento estudantil. 

Referências 

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Angelis, Patrícia Trindade de. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/patricia-trindade-de-angelis. Acesso em: 3 set. 2026.

Memoriais, Institutos e Sites Institucionais

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Patrícia de Angelis. São Paulo: UNE, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/patricia-de-angelis. Acesso em: 3 set. 2026.

Fontes Orais

ANGELIS, Patrícia Trindade de. Entrevista concedida a Angélica Müller, em 18 jun. 2005. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

Fontes da Imprensa

MEC pára de conceder crédito educativo. Folha de S. Paulo, São Paulo, Caderno Cotidiano, p. 3, 11 jan. 1992. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/digital/leitor.do?numero=11570&anchor=4768792&origem=busca&originURL=&maxTouch=0&pd=d86e87f0d74bb865142041a8478522a3. Acesso em: 3 set. 2026.