
Felipe Maia Guimarães da Silva nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de novembro de 1977. Ainda na juventude, mudou-se para Campinas (SP), onde iniciou sua trajetória no movimento estudantil. Em 1992, participou da fundação do Grêmio Estudantil do Colégio Anglo Campinas, engajando-se nas mobilizações pelo passe livre e nas campanhas do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Felipe Maia filiou-se à UJS e posteriormente ao PCdoB atuando no movimento secundarista de Campinas.
Em 1995, ingressou no curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e foi eleito coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), atuando nas lutas em defesa do financiamento das universidades públicas e em oposição ao Exame Nacional de Cursos (Provão). Posteriormente, assumiu o cargo de tesoureiro-geral da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), destacando-se na mobilização contra o reajuste das mensalidades nas instituições privadas de ensino superior. Em 1999, foi eleito segundo vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), na gestão presidida por Wadson Ribeiro.
Em junho de 2001, durante o 47º Congresso da UNE, realizado em Goiânia (GO), Maia foi eleito presidente da entidade ao liderar a chapa vitoriosa “Agora só falta você”. Sua gestão teve início durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, mantendo uma firme postura de oposição às políticas educacionais do então ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
Um dos principais marcos de sua presidência foi a greve nacional das universidades federais em 2001, que exigia o aumento dos investimentos nas instituições e o reajuste salarial do corpo docente. A paralisação durou cerca de 110 dias e mobilizou estudantes, professores e técnico-administrativos, contando inclusive com o apoio de reitores. Sob a liderança de Maia, a UNE articulou um comando nacional de greve e participou ativamente das negociações por repasses orçamentários às universidades.
Outro embate relevante ocorreu em relação à Medida Provisória que alterou a emissão dos documentos de identificação estudantil necessários para a concessão de meia-entrada, colocando em risco o direito dos estudantes e afetando diretamente a principal fonte de arrecadação financeira da UNE. Diante disso, a UNE empreendeu mobilizações de rua e intensas articulações políticas e jurídicas contra a medida.
Em 2002, a entidade promoveu o seminário “Repensando o Brasil”, do qual resultou a elaboração de uma Carta-Compromisso com dez propostas direcionadas aos candidatos à Presidência da República. No segundo turno das eleições de 2002, após consulta à base estudantil, a UNE deliberou pelo apoio oficial à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, a gestão marcou presença nos Fóruns Sociais Mundiais e no Congresso da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), em Guadalajara (México), além de organizar a III Bienal de Arte e Cultura da UNE, realizada no Recife (PE) em 2003.
Durante esse período, teve início também o desenvolvimento do Projeto Memória do Movimento Estudantil, voltado ao resgate, à sistematização e à preservação do acervo histórico da UNE e das lutas estudantis brasileiras.
Com a posse do presidente Lula em 2003, a relação da UNE com o Poder Executivo Federal passou por uma reconfiguração significativa: a entidade migrou do confronto direto com o governo anterior para uma postura de maior interlocução, integrando inclusive as discussões com a equipe de transição. Maia encerrou seu mandato à frente da UNE em junho de 2003, sendo sucedido por Gustavo Petta.
Após concluir sua gestão na UNE, Maia retornou à vida acadêmica, graduando-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007. Entre 2008 e 2010, atuou na Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Desde 2015, é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Maia, Felipe. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/maia-felipe-pres-une. Acesso em: 17 set. 2026.
Memoriais, Institutos e Sites Institucionais
SILVA, Felipe Maia Guimarães da. Currículo do Sistema de Currículos Lattes. Brasília, DF: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), [20–]. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/7005173484637605. Acesso em: 17 set. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF). Felipe Maia. Juiz de Fora: UFJF, [20–]. Disponível em: https://www2.ufjf.br/ppgcso/docentes/permanentes/felipe-maia/. Acesso em: 17 set. 2026.
Fontes Orais
SILVA, Felipe Maia Guimarães da. Entrevista concedida a Ana Paula Goulart e Angélica Müller, em 10 nov. 2004. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.
