José Frejat em sua máquina de escrever, s/d. Fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional. 

José Frejat nasceu em Cururupu (MA), em 24 de março de 1924. Filho de pequenos comerciantes, passou a infância em Floriano (PI), onde estudou em escola pública e no Ginásio Santa Teresinha, antes de se mudar para o Rio de Janeiro para concluir os estudos no Colégio Pedro II. Ainda no Piauí, participou da fundação do Centro Estudantil Fernando Marques, que, entre outras atividades, mantinha um curso noturno para trabalhadores e empregadas domésticas. 

Em 1947, ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde rapidamente se envolveu no movimento estudantil. Participou do movimento de reforma do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), voltado à defesa da liberdade democrática, da melhoria e da gratuidade do ensino, e foi eleito presidente da entidade. 

Em abril de 1950, após a renúncia de Rogê Ferreira, Frejat foi eleito presidente da UNE por unanimidade pelo Conselho da União Nacional dos Estudantes (UNE), composto pelas lideranças das uniões estaduais, para concluir o mandato interrompido. Naquele momento, também havia sido eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade do Brasil, acumulando as duas funções. À frente da UNE, deu continuidade às mobilizações em defesa do monopólio estatal do petróleo, da defesa da Amazônia e da democratização e reforma do ensino. 

Sua gestão ocorreu em meio à forte repressão política do governo Eurico Gaspar Dutra e ao acirramento das disputas entre as diferentes correntes do movimento estudantil. Nesse sentido, Frejat buscou articular um movimento estudantil latino-americano, o Bureau Estudantil Latino-americano, iniciativa que não avançou diante da campanha anticomunista liderada por setores ligados a Carlos Lacerda. A atuação da UNE no período estava sobretudo associada à defesa da democracia, à ampliação das oportunidades educacionais e à busca por mudanças na sociedade brasileira. A forte campanhna anticomunista imprimida na sociedade e no interior do movimento estudantil fez com que os estudantes ligados a organizações juvenis das correntes socialista, comunista, nacionalista de esquerda e cristã progressista fossem derrotadas no 13º Congresso, inaugurando a fase direitista na entidade após a gestão de Frejat.

Ao deixar a presidência da UNE, Frejat se manteve na presidência do DCE da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante seu mandato, conseguiu que se instalasse um restaurante na Faculdade Nacional de Direito e lutou pela preservação da gratuidade do ensino das 14 faculdades que então compunham a Universidade do Brasil. Exerceu a presidência do DCE até julho de 1951, tendo se formado em direito no fim deste ano. Após deixar o movimento estudantil, tornou-se secretário-geral do Movimento Nacionalista Brasileiro (MNB), organização que teve certas articulações com a UNE e promoveu campanhas em defesa da indústria nacional e de uma política econômica soberana. Entre as iniciativas, destacou a oposição à entrada da empresa estadunidense American Can no mercado brasileiro e a realização de manifestações em defesa da indústria nacional. Ingressou no jornalismo como redator-chefe de O Semanário, periódico de tendência nacionalista da época. Em 1958, candidatou-se ao cargo de vereador do então Distrito Federal (Rio de Janeiro) pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi eleito segundo suplente e assumiu em 1959. Ainda nesse ano, formou-se em técnico de administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Durante a ditadura militar, manteve atuação política de oposição aos militares. Teve também sua candidatura a deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) da Guanabara impugnada nas eleições de 1966. Pelo MDB  foi eleito vereador do município do Rio de Janeiro em 1975. Candidatou-se a deputado estadual em 1978 e iniciou seu mandato em abril de 1979, chegando a se tornar membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Com a abertura partidária a partir de 1979, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), como parte de sua Comissão Executiva Nacional. Em 1982, foi novamente eleito deputado federal onde permaneceu até 1987. Em 1986, candidatou-se a senador pelo Rio de Janeiro e não se elegeu. Passou a fazer parte novamente do PSB e, a convite de Saturnino Braga, assumiu a Secretaria de Administração do município do Rio de Janeiro. Em 1989, passou a integrar o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), sendo indicado em 1999 para integrar à direção nacional do PSDB. José Frejat faleceu no Rio de Janeiro, em 2026, aos 102 anos.

Referências 

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

ARAÚJO, Maria Paula. Memórias Estudantis, 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará; Fundação Roberto Marinho, 2007.

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Frejat, José. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/frejat-jose. Acesso em: 4 set. 2026.

MATTOS, André Luiz Rodrigues de Rossi. Entre o comunismo e o anticomunismo: a União Nacional dos Estudantes entre os anos de 1950 e 1956. [S. l.], 27 dez. 2013. Disponível em: https://arquivosdemovimentoestudantil.wordpress.com/2013/12/27/entre-o-comunismo-e-o-anticomunismo-a-uniao-nacional-dos-estudantes-entre-os-anos-de-1950-e-1956/. Acesso em: 4 set. 2026.

MATTOS, Andre Luiz Rodrigues de Rossi. Radicalismo de esquerda e anticomunismo radical: a União Nacional dos Estudantes entre 1945 e 1964. (2013). Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2013. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/93354. 

POERNER, Arthur José. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: [s. n.], 2004.

Fontes Orais

FREJAT, José. Entrevista concedida a Angélica Müller e Carla Siqueira, em 07 out. de 2004. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

MARTINS, Paulo Egydio. Paulo Egydio conta: depoimento ao CPDOC. Entrevistadores: Ignez Cordeiro de Farias e Lucia Hippolito. Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 1993. Disponível em: http://observatory-elites.org/wp-content/uploads/2011/11/Paulo-Egydio-Conta-Depoimento-Ao-CPDOC.pdf. Acesso em: 4 set. 2026.

Fontes da Imprensa

ACERVO O GLOBO. [União Nacional dos Estudantes]. Rio de Janeiro: O Globo, 31 jul. 1950. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.