
Marcos Gustavo Heusi Neto nasceu em 18 de setembro de 1937, em Blumenau (SC). Seu interesse pela política teve início ainda no colegial, quando, em 1955, fundou o jornal O Estudante, ligado à União Blumenauense de Estudantes. Foi delegado da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), representando o estado de Santa Catarina. Em 1956, ingressou na Faculdade de Direito de Santa Catarina e, logo em seu primeiro ano, foi eleito orador oficial da União Catarinense de Estudantes. Essa posição o levou a participar do 19º Congresso da UNE e do congresso da União Internacional dos Estudantes, realizado em Ibadan, na Nigéria.
No ano seguinte, em 1957, Heusi mudou-se para Porto Alegre (RS) para prestar o serviço militar obrigatório e transferiu-se para a Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mesmo com as exigências da vida na caserna, conseguiu manter sua atuação política na faculdade, chegando a articular campanhas para as eleições do Centro Acadêmico Maurício Cardoso.
Apoiado pela Juventude Universitária Católica (JUC), à qual era vinculado, e por estudantes da União da Juventude Comunista (UJC), ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCB), Heusi foi eleito presidente da UNE em 1957, durante o 20º Congresso da entidade, ocorrido em Nova Friburgo (RJ). À frente da instituição, deu continuidade à busca por autonomia do movimento estudantil, iniciada por seu antecessor. Como forma de garantir independência financeira, a UNE arrecadava fundos por meio da Festa Nacional dos Estudantes, um parque de diversões montado no Aterro do Flamengo, iniciativa criada na gestão de José Batista de Oliveira Júnior.
O mandato de Heusi foi marcado, sobretudo, pela mobilização contra a American Can Company, multinacional norte-americana que pretendia se instalar no Brasil e competir com a indústria nacional de latas. Além disso, a UNE engajou-se fortemente na defesa da economia brasileira, com destaque para o apoio à Petrobras e na luta pela educação. Nesse sentido, promoveu, em 1957, o I Seminário Nacional de Reforma do Ensino, que pautava a regionalização, a democratização e a ampliação do acesso ao ensino superior.
Após deixar a presidência da UNE em 1958, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e passou a integrar o diretório nacional da legenda. Chegou a cogitar uma candidatura a deputado federal por Santa Catarina, mas desistiu da disputa e não voltou a concorrer a cargos eletivos. Na sequência de sua trajetória, atuou no governo de João Goulart como chefe de gabinete dos ministros Evandro Lins e Silva e Darcy Ribeiro na Casa Civil. Foi também assistente jurídico do Ministério da Agricultura e atuou no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Econômico (IBDE). Posteriormente, pediu exoneração dos cargos públicos para se dedicar exclusivamente à advocacia e filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Durante a ditadura militar, notabilizou-se como advogado de defesa de presos políticos entre 1966 e 1974. Em 1968, atuou em duas causas célebres: impetrou pedidos de habeas corpus para professores detidos da Universidade de Brasília (UnB) e para os estudantes presos no Congresso da UNE realizado em Ibiúna (SP). Foi o autor dos dois últimos habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) antes da promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, beneficiando os líderes estudantis Vladimir Palmeira e Franklin Martins. Ainda nesse período, foi professor adjunto do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e correspondente do Diário Carioca na capital federal.
Em 1975, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade ao seu trabalho jurídico pelo MDB. Em 1979, participou da fundação do Partido Popular (PP). No âmbito da gestão pública fluminense, foi secretário estadual de Justiça entre abril e julho de 1981, e, em março de 1987, assumiu a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Posteriormente, dedicou-se à advocacia em escritório próprio. Em 2004, colaborou com o Projeto Memória do Movimento Estudantil, ocasião em que revisitou sua trajetória e ressaltou a importância de preservar a memória da UNE para a história política e social do país.
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Heusi Neto, Marcos Gustavo. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/marcos-gustavo-heusi-neto. Acesso em: 4 set. 2026.
POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004.
Memoriais, Institutos e Sites Institucionais
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Marcos Heusi. Rio de Janeiro: UNE, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/marcos-heusi. Acesso em: 4 set. 2026.
Fontes Orais
HEUSI NETO, Marcos Gustavo. Entrevista concedida a Ana Paula Goulart e Tatiana Di Sabbato, em 8 out. 2004. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.
Fontes da Imprensa
[MARCOS Heusi Neto]. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2º caderno, p. 4, 18 abr. 1958. Hemeroteca Digital Brasileira.
[MARCOS Heusi Neto]. O Globo, Rio de Janeiro, p. 11, 4 set. 1957. Acervo O Globo. Fotografia de Marcos Heusi Neto.
