João Manoel Conrado Ribeiro nasceu em 20 de fevereiro de 1931, na cidade de Franca, em São Paulo. Em 1953, entrou no curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e no mesmo ano participou da eleição do Centro Acadêmico, iniciando sua jornada na militância estudantil. No mesmo ano, trabalhou como revisor no jornal Folha da Manhã, e em 1954 foi admitido como funcionário da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo. Em 1955, foi eleito vice-presidente do Centro Acadêmico 22 de agosto e no ano seguinte foi indicado para ser candidato a secretário geral no congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo, obtendo vitória. Após concluir o curso de Direito, João Manoel entrou em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e continuou sendo o secretário geral da UEE de São Paulo. 

Em julho de 1959, João Manoel foi eleito presidente da UNE no 22° congresso da entidade. Durante sua gestão, após a greve deflagrada dos estudantes baianos em 1960, foi realizado o Seminário Latino-americano de Reformas do Ensino Superior, em Salvador, onde foram debatidos diversos pontos de vista acerca da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e que teve como resultado a importante Declaração da Bahia. Neste documento, dividido em três partes, os estudantes brasileiros discorrem acerca da realidade brasileira, das novas correntes dos movimentos estudantis, da universidade no Brasil e das reformas universitárias. Sua gestão também apoiou mobilizações estudantis e adotou posições em questões internacionais, como o apoio à Revolução Cubana. Ainda em 1959, João Manoel conseguiu um aumento da verba governamental destinada à UNE. Quando da visita do presidente dos EUA ao Brasil, Dwight David Eisenhower, a UNE botou uma faixa na fachada da sua sede, que dizia “Nós gostamos de Fidel Castro”, em protesto à comitiva estadunidense que passaria em frente à sede da entidade. 

Como pontos principais de sua gestão, é possível citar a continuação das campanhas contra a execução do Acordo de Roboré (acordo esse que implicava a aplicação de recursos da Petrobrás no altiplano da Bolívia para atender aos interesses da Gulf, empresa estadunidense) e campanhas contra a instalação da indústria American Can, mais uma empresa estadunidense. Ainda nesse período, a UNE pressionou com êxito o Poder Legislativo para instalar uma CPI para apurar as atividades da Shell e da Esso no Brasil

Após o fim de sua gestão na UNE, João Manoel não se envolveu em atividades políticas e foi trabalhar como assistente administrativo no Ministério do Trabalho. Com o início da ditadura militar, ele foi demitido de seu cargo no Ministério do Trabalho, retornando apenas em junho de 1980, um ano depois da Lei de Anistia. Entre 1964 e 1980, João Manoel atuou como advogado associado em um escritório de advocacia. Em 1996, se aposentou. 

Referências

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Ribeiro, João Manuel Conrado. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/joao-manuel-conrado-ribeiro. Acesso em: 4 set. 2026.

POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004. 

Fontes Orais

RIBEIRO, João Manoel Conrado. Entrevista concedida a Ana Paula Goulart e Angélica Müller, em 9 nov. 2004. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

Fontes da Imprensa

[DIRETORIA da UNE: a chapa comunista]. O Globo, Rio de Janeiro, p. 3, 24 jul. 1959. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.

[GREVE dos estudantes]. O Globo, Rio de Janeiro, p. 6, 9 mar. 1960. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.