
Altino Rodrigues Dantas Júnior nasceu em Campo Grande (MT), em 9 de junho de 1939, e iniciou sua militância política no movimento estudantil secundarista. No início dos anos 1960, mudou-se para São Paulo, onde cursou Direito e atuou na União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), além de militar no Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em julho de 1965, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o 27º Congresso da entidade, realizado na Escola Politécnica de São Paulo. Sua gestão ocorreu em um período de intensa repressão ao movimento estudantil, colocado na ilegalidade pela ditadura militar. À frente da UNE, participou da reorganização da entidade e da mobilização contra a Lei Suplicy, que suspendeu o funcionamento da UNE, extinguiu as UEEs e submeteu os diretórios e centros acadêmicos ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Sua gestão foi marcada também pelas mobilizações contra o acordo MEC-USAID (United States Agency for International Development), que previa submeter a educação brasileira aos interesses estadunidenses, além da rearticulação dos setores oposicionistas à ditadura militar em torno das denúncias de prisões e torturas de estudantes. Em 1965, participou de um encontro de entidades latino-americanas, realizado no Uruguai, promovido pela União Internacional dos Estudantes (UIE) e pela Organização Continental Latino-Americana de Estudantes (OCLAE).
Em 1966, presidiu o 28º Congresso Nacional dos Estudantes, realizado clandestinamente em Belo Horizonte, quando deixou a presidência da entidade, sucedendo-lhe Jorge Luís Guedes. Após o fim do seu mandato, Altino deixa o PSB, atua na Ação Popular (AP) e depois entra para a resistência armada à ditadura militar, na Ação Libertadora Nacional (ALN).
Preso em maio de 1971, passou pelo DEOPS e pelo DOI-Codi de São Paulo, onde foi torturado. Julgado e condenado a 93 anos de prisão, acusado de atuação na UNE e na AP, cumpriu pena em São Paulo. Do cárcere, assinou com os demais presos políticos paulistas cartas de denúncia à OAB (1975, 1977 e 1979) sobre torturas, violações de direitos humanos e irregularidades processuais, e endereçou, em 1978, carta ao ministro do Superior Tribunal Militar general Rodrigo Otávio Jordão Ramos denunciando a morte sob tortura de Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, ocorrida em maio de 1971 na cela contígua à sua. Foi libertado em 15 de setembro de 1979, em decorrência da Lei de Anistia.
Jornalista, participou da fundação do PT, no qual foi coordenador da secretaria-geral da direção nacional, assessor de Luiz Inácio Lula da Silva e diretor do departamento de jornalismo do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (até 1986). Presidiu o diretório municipal do PT em Santos a partir de 1986 e foi eleito vereador daquela cidade em 1988, tornando-se líder do governo da prefeita Telma de Souza; reeleito em 1992, encerrou o mandato em dezembro de 1996.
Referências
Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Dantas Júnior, Altino Rodrigues. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/altino-rodrigues-dantas-junior. Acesso em: 2 set. 2026.
Memoriais, Institutos e Sites Institucionais
SÃO PAULO (Estado). Assembleia Legislativa. Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. [Jornal e panfletos de campanha de Altino Dantas para vereador pelo PT]. São Paulo: ALESP, 1990. Disponível em: https://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/upload/009-jornal-Altino-Dantas.pdf. Acesso em: 2 set. 2026.
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Altino Dantas. São Paulo: UNE, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/altino-dantas. Acesso em: 2 set. 2026.
[WILSON MELO, PUBLICAÇÃO em rede social]. Facebook, [2024]. Disponível em: https://www.facebook.com/photo/?fbid=7974770022533183&set=a.442198615790399. Acesso em: 2 set. 2026.
Fontes da Imprensa
POLÍCIA, PM e Exército vão impedir o Congresso da UNE. O Globo, Rio de Janeiro, 23 jul. 1966. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 2 set. 2026.
UNE insulta o governo. O Globo, Rio de Janeiro, 14 jul. 1966. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 2 set. 2026.
