
Luís Gonzaga Travassos nasceu em fevereiro de 1945, em São Paulo. Em 1965, ingressou na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Posteriormente, consagrou-se presidente do Centro Acadêmico XXII de Agosto e passou a integrar as fileiras da Ação Popular (AP). Em 1966 foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE/SP). Nessa ocasião encontrava-se preso, pois o congresso UEE, considerado ilegal, foi localizado pela polícia e todos os seus participantes foram detidos.
O 29° Congresso da UNE, realizado de forma clandestina em 1967, teve duas etapas principais em um convento localizado entre Valinhos e Vinhedo, no interior de São Paulo, além de reuniões em escolas da capital, que foram reprimidas pela polícia. Ainda assim, Luís Travassos foi eleito presidente, culminando com seu discurso em um comício-relâmpago realizado na Praça da Sé de São Paulo no dia 10 de agosto, que durou apenas 15 minutos, longe da atenção da polícia, que procurava pelo presidente-eleito da UNE.
Travassos foi um dos líderes e organizadores da Passeata dos Cem Mil, manifestação popular que aconteceu no centro do Rio de Janeiro em 26 de junho de 1968, contra o governo militar, e que reuniu mais de cem mil pessoas, entre estudantes, operários, artistas, intelectuais, religiosos, etc. Em outubro do mesmo ano, liderou a resistência dos estudantes da Faculdade de Filosofia da USP na rivalidade que existia entre eles e os estudantes da Universidade Mackenzie no episódio que ficou conhecido como “A Batalha da Rua Maria Antonia”, que contou com a participação do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) por parte dos alunos da Mackenzie.
Ainda em 1968, participou do congresso clandestino da UNE realizado em Ibiúna, interior de São Paulo, que terminou com uma invasão da polícia que levou todos os integrantes presos. Foi libertado apenas em setembro de 1969, junto com outros 14 presos políticos em troca da vida do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick, sequestrado no Rio de Janeiro por guerrilheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8).
Após ser libertado da prisão, Travassos foi banido do Brasil e seguiu primeiro para o México e depois para Cuba. Em março de 1970 foi para o Chile, onde ficou até o golpe militar chileno, em 11 de setembro de 1973. Retornou ao México, em seguida foi para a Bélgica e então para a Alemanha, onde se formou em economia pela Universidade Livre de Berlim. Retornou para o Brasil apenas em 1979, após a Lei da Anistia. No Brasil, Travassos passou a trabalhar como tradutor de alemão e ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT). Morreu no Rio de Janeiro em 24 de fevereiro de 1982, aos 37 anos, vítima de um acidente de carro no Aterro do Flamengo.
Fontes:
CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Travassos, Luís. In: CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [s. d.]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/travassos-luis. Acesso em: 4 set. 2026.
[LUÍS Travassos]. O Globo, Rio de Janeiro, 14 out. 1968. Acervo O Globo. Fotografia de Luís Travassos. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.
[UNIÃO Nacional dos Estudantes]. O Globo, Rio de Janeiro, 14 out. 1968, p. 3. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.
[MOVIMENTO estudantil]. Folha de S.Paulo, São Paulo, 6 mar. 2008. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/p_20080306-movimento08.shtml. Acesso em: 4 set. 2026.
