Jean Marc von der Weid concedendo entrevista. Fonte: CPDoc Jornal do Brasil.

Jean Marc von der Weid nasceu em 9 de fevereiro de 1946, no Rio de Janeiro. Iniciou sua militância no movimento estudantil em 1962, aos 16 anos, quando participou do grêmio do Colégio São Fernando e montou uma delegação para ir ao congresso da Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas (AMES). Em 1964, ingressou na Escola de Química da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Escreveu um texto acerca dos projetos de futuras privatizações das universidades brasileiras, que seria implementado através do acordo MEC-USAID, e assim conquistou uma maior projeção nos movimentos estudantis no Rio de Janeiro. Integrante da Ação Popular (AP), organização política formada a partir de setores do movimento estudantil católico de esquerda, foi presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Química em 1968. Ainda em 1968, foi preso acusado de incendiar um carro do Exército e de ter agredido um militar durante uma manifestação estudantil, permanecendo preso por três semanas em uma solitária.

Durante o 30° congresso da UNE, realizado clandestinamente em Ibiúna, interior de São Paulo, concorreu à presidência, mas devido a invasão da polícia e prisão de todos os presentes no congresso, a eleição não foi finalizada. Nesse episódio, Jean Marc adotou uma identidade falsa, foi levado junto com os estudantes paranaenses para o Paraná e então ficou na clandestinidade até voltar ao Rio de Janeiro, assim evitando mais uma prisão. Para concluir a votação iniciada no congresso de Ibiúna, foram realizados vários “congressinhos” da UNE, realizados de estado em estado e que haviam delegações responsáveis por afirmar o voto do estado. No final os votos totais foram contabilizados, com a vitória de Jean Marc em abril de 1969.

Um pouco antes do início de sua gestão, foi declarado pelo governo militar o AI-5, que fez a UNE sair da era de semi-clandestinidade para a era de clandestinidade completa. Durante seu período na presidência da UNE, organizou as manifestações comemorativas de um ano da morte do estudante Edson Luís e uma greve nacional de protesto contra a visita de Nelson Rockefeller, governador do estado de Nova York, enviado pelo governo estadunidense em maio de 1969 para preparar a visita do presidente Richard Nixon. Lutou contra a influência do imperialismo estadunidense no Brasil, contra as anuidades das universidades e contra a repressão da ditadura militar.

Pouco tempo depois do protesto contra a visita de Nelson Rockefeller, em setembro de 1969, foi preso ao visitar uma sede da Ação Popular que já havia sido localizada pela polícia. Ficou preso na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar), e durante seu período de um ano e meio preso foi torturado e interrogado por oficiais. Com o sequestro do embaixador suíço, em 1970, sua libertação foi negociada como moeda de troca da libertação do embaixador, e então foi exilado no Chile em janeiro de 1971, junto a outros 69 presos políticos. Com o golpe militar em 1973 no Chile, Jean Marc criou e coordenou um grupo informal que se encarregou de ajudar os exilados brasileiros a se refugiarem em embaixada em Santiago ou a cruzarem a fronteira com a Argentina para fugir da repressão chilena. Em 1974, também fugindo da ditadura de Augusto Pinochet, foi para a França, onde fez o curso de pós-graduação em economia rural e foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA) e do Centro de Estudos sobre o Terceiro Mundo e a América Latina (Cetral). 

Retornou ao Brasil após a Anistia em 1979, e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), participando da criação da Secretaria Agrária do partido. Em 1980 trabalhou como economista numa empresa privada e participou do Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro e do Instituto Brasileiro de Assessoria Comunitária (Ibrac), do qual foi diretor. Em 1985, saiu do PT e ajudou a refundar o Partido Socialista Brasileiro (PSB), extinto pela ditadura. Passou a assessorar a direção nacional do PSB em assuntos de política agrícola e agrária, tendo formulado propostas de planos de governo sobre esses temas nas eleições de 1989 e 1994. Criado por Jean Marc em 1983, o Projeto Tecnologias Alternativas (PTA) tornou-se uma organização não-governamental em 1990, renomeado para Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), e tem como objetivo contribuir para a criação de um novo modelo de desenvolvimento agrícola no Brasil, baseado na agricultura familiar e no uso de tecnologias derivadas dos princípios da agroecologia.

Fontes:

JEAN MARC von der Weid fala sobre a resistência à ditadura e a agroecologia. Brasil de Fato, 5 jun. 2021. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/06/05/jean-marc-von-der-weid-fala-sobre-a-resistencia-a-ditadura-e-a-agroecologia/. Acesso em: 4 set. 2026. 

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Jean Marc Frédéric von der Weid. In: CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [s. d.]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/jean-marc-frederic-von-der-weid. Acesso em: 4 set. 2026. 

[JEAN Marc]. O Globo, Rio de Janeiro, 3 dez. 1970. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026.

ARAÚJO, Maria Paula. Memórias Estudantis, 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará; Fundação Roberto Marinho, 2007.