Honestino Guimarães, de pé, em Assembleia estudantil na Universidade de Brasília. Fonte: Acervo Família/Honestino Guimarães.

Honestino Monteiro Guimarães nasceu em 28 de março de 1947, em Itaberaí, uma pequena cidade de Goiás. Em 1960, em busca de novas oportunidades, sua família mudou-se para Brasília. Na nova capital, Honestino concluiu o curso ginasial e iniciou o científico no Centro de Ensino Médio (conhecido como Elefante Branco), onde foi um dos fundadores do Grêmio Estudantil. Nessa época, ingressou na Ação Popular (AP), uma das principais organizações políticas do meio estudantil. Em 1965, alcançou o primeiro lugar geral no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), passando a cursar Geologia.

Sua capacidade de liderança logo se revelou, o que lhe rendeu grande respeito entre os alunos da UnB. Contudo, sua atuação fez com que passasse a ser alvo dos órgãos de repressão. Em 29 de agosto de 1968, a violenta e desastrosa invasão policial do campus da Universidade de Brasília teve como um de seus objetivos localizar Honestino, que foi preso sob intensa truculência, enquanto os estudantes queimavam viaturas policiais, ocorrendo detenções em massa. Além de ser detido, Honestino foi expulso da instituição restando apenas dois meses para concluir o curso.

Após a série de prisões, ele passou a atuar na clandestinidade, mudando-se para Goiânia. Nesse mesmo período, em 16 de dezembro de 1968, apenas três dias após a decretação do AI-5, seu pai faleceu em um trágico acidente de carro, devido à exaustão causada pela perseguição à família. Desrespeitando o luto familiar, policiais ocuparam o cemitério com viaturas, impedindo que Honestino comparecesse ao funeral. Constantemente perseguidos, ele e sua esposa, passaram a viver clandestinamente em São Paulo.

Em 1969, foi eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), na gestão de Jean-Marc von der Weid. Com a prisão do titular, assumiu a presidência interina da entidade, sendo oficializado no cargo em 1971, durante o 31º Congresso da UNE, realizado clandestinamente na Baixada Fluminense (RJ). A partir de outubro daquele ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conciliava suas tarefas na UNE com a militância na Ação Popular Marxista-Leninista. Mesmo sob forte repressão, a entidade liderada por Honestino empenhava-se em rearticular o movimento estudantil em âmbito nacional. O objetivo era retomar as lutas nas universidades, mobilização que acabou sendo catalisada pela repercussão do assassinato do estudante Alexandre Vannucchi Leme, em março de 1973. 

Ainda em 1973, sua esposa Isaura foi informada por conhecidos que o marido havia sido preso no dia 10 de outubro. A partir desse momento, ela passou a receber inúmeras notícias contraditórias: algumas afirmavam que ele havia sido assassinado, enquanto outras garantiam que fora visto vivo. Durante esse doloroso período, Maria Rosa Leite Monteiro, mãe de Honestino, também buscou informações sobre o filho, mas deparou-se com duas versões sobre o seu desaparecimento: na primeira, após ser detido pelo Cenimar, no Rio de Janeiro, ele teria sido jogado ao mar de um avião; na segunda, teria morrido em São Paulo, vítima de violentas sessões de tortura.

Durante décadas, sua família e diversos movimentos em defesa da democracia lutaram incansavelmente por respostas sobre seu paradeiro. Foi apenas em 2013, no contexto dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que o Estado brasileiro reconheceu oficialmente que Honestino foi morto em decorrência da violência praticada por agentes da ditadura.

Seu legado histórico o constituiu como símbolo da resistência democrática, sendo amplamente reconhecido ao longo dos anos por meio de diversas homenagens. Em 1979, foi homenageado no Congresso de Reconstrução da UNE na condição de último presidente da entidade. Os participantes do congresso criaram um gigantesco painel estampando o rosto de Honestino, e deixaram na mesa que presidiu o evento uma cadeira vazia em sua homenagem. Uma rua no Jardim da Toca, em São Paulo (SP), foi batizada com seu nome em um ato que contou com a presença da então prefeita Luiza Erundina, em 1991. Um ano depois, passou a dar nome a um dos viadutos do Complexo João Dias, também em São Paulo e no Rio de Janeiro, seu nome foi atribuído a uma rua localizada no Recreio dos Bandeirantes. Em 1996, com o reconhecimento oficial de sua morte, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB incorporou o nome de Honestino à denominação da entidade. No mesmo ano, o reitor Cláudio Todorov outorgou-lhe o título de Mérito Universitário. Em 2006, seu nome foi integrado à denominação do Museu Nacional, projetado por Oscar Niemeyer e localizado ao lado da Catedral de Brasília. Em 2013, foi exaltado em um ato do Conselho Nacional de Entidades Gerais, promovido pela UNE, e homenageado no 53º Congresso Nacional da entidade, em Goiânia. Neste último, num ato com a participação da Comissão Nacional da Verdade, seu nome batizou uma praça na Universidade Federal de Goiás (UFG). Mais recentemente, em 2024, Honestino recebeu o diploma de geólogo post mortem, um marco inédito na história da instituição. Em 2025, foi lançado o filme Honestino, dirigido por Aurélio Michiles e estrelado por Bruno Gagliasso retratando a trajetória do líder estudantil. Honestino consagrou-se como um dos maiores símbolos da resistência estudantil contra a ditadura militar e sua memória permanece viva nas lutas estudantis até o presente.

Referências 

Fontes bibliográficas e dicionários biográficos

ARAÚJO, Maria Paula. Memórias estudantis: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2007.

CPDOC. Honestino Monteiro Guimarães. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV, [s.d.]. Disponível em: http://www.fgv.br/CPDOC/BUSCA/dicionarios/verbete-biografico/honestino-monteiro-guimaraes. Acesso em: 3 set. 2026.

MARTINS FILHO, João Roberto. Movimento estudantil e Ditadura Militar – 1964-1968. Campinas: Papirus, 1987.

Memoriais, Institutos e Sites Institucionais

GRUPO TORTURA NUNCA MAIS – RJ. Honestino Monteiro Guimarães. Rio de Janeiro: GTNM/RJ. Disponível em: https://www.torturanuncamais-rj.org.br/mortodesaparecido/honestino-monteiro-guimaraes-2/. Acesso em: 15 set. 2026 

GUIMARÃES, Luiz Carlos Monteiro; ALMEIDA, Betty; AGUIAR, Katia. Portal de Informações sobre Honestino Guimarães. Disponível em: https://honestinoguimaraes.com.br/honestino-guimaraes. Acesso em: 15 set. 2026.

INSTITUTO VLADIMIR HERZOG. Honestino Monteiro Guimarães. Memórias da Ditadura, [s.d.]. Disponível em: https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/honestino-monteiro-guimaraes/. Acesso em: 3 set. 2026.

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Comissão da Verdade da UNE: Relatório Preliminar nº 1 – Honestino Monteiro Guimarães (1947-1973). São Paulo: UNE, [2013]. Disponível em: https://www.une.org.br/wp-content/uploads/2015/03/CV_UNE_Relatorio_1_Honestino.pdf. Acesso em: 15 set. 2026. 

Fontes da Imprensa

BRASIL DE FATO. Busca por Honestino Guimarães, morto pela ditadura militar, completa 50 anos. Brasil de Fato, São Paulo, 10 out. 2023. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/10/10/busca-por-honestino-guimaraes-morto-pela-ditadura-militar-completa-50-anos/. Acesso em: 3 set. 2026.

CORREIO BRAZILIENSE. Morre Dona Maria Rosa Leite Monteiro, mãe de Honestino Guimarães. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2012/09/20/interna_cidadesdf,323481/morre-dona-maria-rosa-leite-monteiro-mae-de-honestino-guimaraes.shtml. Acesso em: 3 ago. 2026.

O GLOBO. Justiça Militar vai julgar quem hasteou bandeira na UnB. O Globo, Rio de Janeiro, 27 jul. 1972. p. 16. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 3 set. 2026.

O GLOBO. Subversivos da Ação Popular entram em julgamento amanhã. O Globo, Rio de Janeiro, 18 set. 1972. p. 2. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 3 set. 2026.