Lindbergh Farias discursando durante o movimento dos “Caras-pintadas”. Foto Sérgio Moraes – 21 de agosto de 1992. Acervo da Agência O Globo.

Luiz Lindbergh Farias Filho nasceu em João Pessoa (PB), em 8 de dezembro de 1969. Recebeu influência política desde muito jovem, visto que seu pai foi presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) da Paraíba e vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) na primeira metade da década de 1960. Aos 16 anos, ingressou no curso de Medicina na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, pouco tempo depois, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), partido no qual militou até 1997. Em 1990, integrou a diretoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Posteriormente, aos 21 anos, foi eleito secretário-geral da UNE, transferindo-se para São Paulo.

Durante o 42º Congresso da UNE, realizado em Niterói em 1992, Lindbergh foi eleito presidente da entidade em um contexto de eleições proporcionais para a diretoria da UNE. Sua gestão teve como principal marca o protagonismo da UNE nos protestos contra o então presidente da República, Fernando Collor de Mello. Em maio daquele ano, o Brasil enfrentou uma profunda crise política quando Pedro Collor acusou seu irmão, o presidente, de envolvimento em um esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha eleitoral de Fernando Collor.

Sob a liderança de Lindbergh, a UNE, em conjunto com a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), promoveu grandes passeatas pelo país, exigindo o impeachment do presidente. Em resposta ao movimento estudantil, Collor incentivou a população a ir às ruas vestindo verde e amarelo para defendê-lo. O resultado, contudo, foi o oposto do esperado: os jovens continuaram protestando, mas agora com os rostos pintados. A irreverência e a capacidade de formulação da UNE e da UBES levaram milhões de brasileiros às ruas, consolidando o movimento dos “caras-pintadas”. Parte da sensibilidade política da época foi alimentada pela minissérie Anos Rebeldes (1992), da Rede Globo, que retratou na ficção a atuação estudantil da década de 1960 e exerceu forte influência no imaginário da juventude daquele momento.

Além do movimento de massas, a UNE demonstrou forte articulação institucional no período. Participou ativamente das discussões promovidas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), transitando entre parlamentares e autoridades durante a fase do impeachment e a transição para o governo de Itamar Franco.

Ainda sob a presidência de Lindbergh, a UNE realizou campanhas contra o aumento das mensalidades em universidades e escolas particulares. Essa pauta atravessou toda a década de 1990, perpassando a crise do financiamento estudantil e mantendo-se central até a posterior criação do ProUni.

Encerrada sua trajetória no movimento estudantil, consolidou uma expressiva carreira na política institucional. Foi eleito deputado federal em 1994 pelo PCdoB e assumiu a presidência da União da Juventude Socialista (UJS) no período 1996-1997. Após militar alguns anos no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a partir de 1997, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 2001, legenda pela qual foi eleito deputado federal novamente em 2002. Pelo PT atuou como prefeito de Nova Iguaçu (RJ) por dois mandatos consecutivos (2005–2010), senador da República (2011–2019) e vereador da cidade do Rio de Janeiro, antes de retornar à Câmara dos Deputados em 2022. Cabe destacar também que, em 2005, contribuiu com a memória política do país ao conceder depoimento para o Projeto Memória do Movimento Estudantil.

Referências

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

ARAÚJO, Maria Paula. Memórias estudantis, 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Fundação Roberto Marinho, 2007.

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Farias Filho, Luiz Lindbergh. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/luis-lindberg-farias-filho. Acesso em: 3 set. 2026.

POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004. 

Memoriais, Institutos e Sites Institucionais

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Lindbergh Farias. São Paulo: UNE, [20–]. Disponível em: https://www.une.org.br/presidentes/lindberg-farias. Acesso em: 3 set. 2026.

Fontes Orais 

FILHO, Luiz Lindbergh Farias. Entrevista concedida a Angélica Müller, em 01 abr. 2005. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

Fontes da Imprensa

CONGRESSO EM FOCO. Da era Collor ao presente: os rostos de 1992 que seguem no poder. Brasília, DF: Congresso em Foco, [20–]. Disponível em: https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/107995/da-era-collor-ao-presente-os-rostos-de-1992-que-seguem-no-poder. Acesso em: 3 set. 2026.

GODOY, Fernanda. Os estudantes redescobrem os grêmios. Folha de S.Paulo, São Paulo, Caderno Folhateen, 7 set. 1992. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/digital/leitor.do?numero=11809&keyword=carteirinhas&anchor=4762279&origem=busca&originURL=&maxTouch=0&pd=4538d7d57e4e06353d62e52cd11adfd2. Acesso em: 3 set. 2026.

LINDBERGH diz que juventude é politizada. Folha de S.Paulo, São Paulo, Primeiro Caderno, 31 ago. 1992. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/digital/leitor.do?numero=11802&anchor=4791486&origem=busca&originURL=&maxTouch=0&pd=be49c72999848c6ab14c2b20b6821ae4. Acesso em: 3 set. 2026.

MAIOR passeata da UNE surpreende líder. Folha de S.Paulo, São Paulo, Caderno Folhateen, p. 2, 26 ago. 1992. Disponível em: https://acervo.folha.com.br/digital/leitor.do?numero=11797&anchor=4790851&origem=busca&originURL=&maxTouch=0&pd=9d51199d497c53f2432524a04b5e96f3. Acesso em: 3 set. 2026.