Retrato de Tarnier Teixeira. Acervo pessoal.

Tarnier Teixeira nasceu em Tupaciguara (MG), em 14 de fevereiro de 1919, e transferiu-se para o Rio de Janeiro para cursar Química Industrial na Escola Nacional de Química da então Universidade do Brasil (atual UFRJ). Ainda jovem, aproximou-se do movimento estudantil, sendo eleito primeiro-secretário do Diretório Acadêmico. Em setembro de 1942, durante o 5º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi eleito secretário-geral da entidade.

Em abril do ano seguinte, Hélio de Almeida, eleito presidente da UNE naquele mesmo congresso, renunciou ao cargo em protesto contra a Portaria nº 225, baixada em 1º de abril de 1943 pelo ministro da Educação, Gustavo Capanema. A medida determinava a criação da Juventude Brasileira, inspirada no modelo fascista italiano, e estabelecia sua instalação na própria sede da UNE. Ainda naquele mês, Tarnier assumiu a presidência interina da entidade, após Capanema sinalizar a disposição de revogar a portaria, desde que Almeida não retornasse ao comando da organização.

A norma foi parcialmente revogada, retirando da Juventude Brasileira a gestão do edifício e restringindo sua presença a apenas uma sala. Contudo, em maio de 1943, após sucessivos atritos, Tarnier e outras 21 lideranças estudantis assinaram um ofício ao ministro rejeitando de forma definitiva qualquer coexistência com a organização oficialista. O impasse resultou na desocupação completa do prédio pela Juventude Brasileira.

Embora breve, a gestão de Tarnier promoveu mobilizações expressivas, destacando-se o engajamento na campanha pela declaração de guerra às potências do Eixo e no combate ao fascismo. Tarnier permaneceu na presidência até o término do mandato, sendo sucedido por Hélio Mota, eleito no 6º Congresso da UNE, em julho de 1943. Durante a organização do encontro, Tarnier atuou como um dirigente atuante e presente, onde recebeu as delegações universitárias vindas de diversos estados.

Ao concluir a graduação no final daquele ano, transferiu-se para Uberlândia (MG), onde vivia sua família, e fundou uma fábrica de óleos vegetais voltada ao abastecimento do Triângulo Mineiro. Contudo, sua trajetória política permaneceu no radar do aparato estatal: em 1967, durante a ditadura militar, foi investigado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Minas Gerais. Interessante notar que mais de vinte anos após liderar a UNE sob o Estado Novo, Tarnier voltava a figurar nos arquivos de vigilância repressiva.

Em abril de 1970, retornou ao Rio de Janeiro para assumir a superintendência do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ, cargo no qual permaneceu até sua aposentadoria, em agosto de 1990. Tarnier Teixeira faleceu na capital fluminense em 24 de novembro de 1992.

Referências 

Fontes Bibliográficas e Dicionários Biográficos

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL (CPDOC). Teixeira, Tarnier. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [20–]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/teixeira-tarnier. Acesso em: 28 set. 2026.

POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004. 

Fontes da Imprensa

[ATIVIDADES Escolares]. O Jornal, Rio de Janeiro, 29 abr. 1943. Hemeroteca Digital Brasileira.

[DIÁRIO Escolar]. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, p. 6, 22 abr. 1943. Hemeroteca Digital Brasileira.