
Nascida em 1996, em Olinda (PE), e criada no bairro de Maranguape I, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, Manuella Mirella Nunes da Silva é filha de feirante e de trabalhadora doméstica. Realizou toda a sua formação básica na rede pública de ensino, tornando-se a primeira pessoa de sua família a ingressar no ensino superior. Graduou-se em Química pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e, posteriormente, iniciou o curso de Engenharia Ambiental nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo. Sua trajetória política teve início no movimento estudantil pernambucano, onde presidiu o Centro Acadêmico de Química, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRPE e a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), momento em que já era dirigente estadual da União da Juventude Socialista (UJS) em Pernambuco e militante do PCdoB. Destacou-se nacionalmente ao integrar a organização das mobilizações de 2019 conhecidas como “Tsunami da Educação”, e atuou na diretoria de Comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE) na gestão de 2021 a 2023.
Em 16 de julho de 2023, durante o 59º Congresso da UNE, realizado em Brasília, Manuella foi eleita presidenta da entidade pela chapa “Coragem e Unidade: nas ruas para reconstruir o Brasil”, obtendo 74,27% dos votos de mais de seis mil delegados. Sua eleição ocorreu em um contexto político marcado pelo início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, em janeiro de 2023, após um período de intensas disputas políticas e sociais no país. O novo governo assumia com a proposta de reconstrução de políticas públicas e de retomada do diálogo com movimentos sociais. Sua eleição representou um marco histórico, Manuella tornou-se a primeira mulher negra e nordestina a chefiar a entidade, protagonizando, ainda, a primeira transição de comando entre duas mulheres negras na história da UNE, ao suceder Bruna Brelaz.
À frente da UNE, Manuella conduziu pautas essenciais para a redemocratização e valorização educacional do país, com ênfase na ampliação de políticas de assistência estudantil, na renovação da Lei de Cotas para garantir a permanência de estudantes de baixa renda, na regulamentação do ensino a distância (EaD) e na defesa da universidade pública. Sua gestão articulou uma reforma universitária voltada à soberania nacional, à diversidade e ao desenvolvimento científico e tecnológico. Além disso, ampliou sua atuação no enfrentamento à violência de gênero nas universidades. Em setembro de 2023, após a repercussão do episódio envolvendo assédio no curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), a entidade lançou a Cartilha de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres na Universidade, com orientações para identificar, denunciar e combater situações de violência no ambiente universitário. A UNE cobrou um posicionamento da universidade e defendeu a adoção de protocolos para responsabilizar os envolvidos, ressaltando que a violência e a sensação de impunidade não poderiam ser naturalizadas no espaço acadêmico. A publicação passou a integrar as ações da entidade voltadas à construção de universidades mais seguras e livres de violência contra as mulheres. A cartilha pode ser acessada gratuitamente no site da UNE: https://www.une.org.br/wp-content/uploads/2023/09/Cartilha-de-Enfrentamento-a-Violencia-Contra-as-Mulheres-na-Universidade-Digital.pdf
No ano de 2026, Manuella foi eleita presidenta nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM) e foi candidata a deputada federal em Pernambuco pelo PCdoB.
Fontes:
ESTADÃO. Manuella Mirella: primeira negra e nordestina a chefiar a UNE quer renovar a política. São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.estadao.com.br/150-anos/republica-em-transformacao/manuella-mirella-primeira-negra-e-nordestina-a-chefiar-a-une-quer-renovar-a-politica/. Acesso em: 3 set. 2026.
MANUELLA Mirella é a nova presidenta da UNE com 74,27% dos votos. União Nacional dos Estudantes (UNE), São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.une.org.br/noticias/manuella-mirella-e-a-nova-presidenta-da-une-com-7427-dos-votos. Acesso em: 3 set. 2026.
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE). Cartilha de enfrentamento à violência contra as mulheres na universidade. [S. l.]: UNE, 2023. Disponível em:https://www.une.org.br/wp-content/uploads/2023/09/Cartilha-de-Enfrentamento-a-Violencia-Contra-as-Mulheres-na-Universidade-Digital.pdf . Acesso em: 28 set. 2026.
G1. Atitudes como a dos alunos de medicina da Unisa devem ser combatidas com o rigor da lei, diz Ministério das Mulheres. G1, São Paulo, 18 set. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/09/18/atitudes-como-a-dos-alunos-de-medicina-da-unisa-devem-ser-combatidas-com-o-rigor-da-lei-diz-ministerio-das-mulheres.ghtml . Acesso em: 28 set. 2026.
