Roberto Gusmão, final da década de 1980. Foto: Joveci C. De Freitas/Estadão Conteúdo

Roberto Herbster Gusmão nasceu em Belo Horizonte, em 29 de maio de 1924. Estudante da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, integrou o Centro Acadêmico XI de Agosto. Em 1947, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o 10º Congresso Nacional de Estudantes, realizado em Minas Gerais. 

Sua eleição marcou o início de um período que corresponde a uma fase de hegemonia socialista da UNE, entre 1947 e 1950, sucedendo a predominância dos estudantes ligados à União Democrática Nacional (UDN), representada pelas gestões de Ernesto Bagdócimo e José Bonifácio Coutinho Nogueira.

À frente da UNE, Gusmão participou de importantes mobilizações políticas do período. Em 1947, a entidade lançou a campanha nacionalista “O Petróleo é Nosso”, simultaneamente no Rio de Janeiro, sob sua liderança, e em São Paulo, conduzida por Rogê Ferreira, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto. A campanha, que defendia o monopólio estatal sobre a exploração do petróleo, tornou-se um dos maiores movimentos de opinião pública da história do país. A ideia da campanha surgiu na sede da UNE no Rio de Janeiro, em um núcleo criado pela gestão de Gusmão chamado Centro Nacional de Defesa do Petróleo. A campanha que nasceu nesse núcleo se serviu dos braços e das ramificações da UNE e do movimento estudantil dos anos 1940. 

Sua gestão também foi marcada pela intensificação da repressão policial ao movimento estudantil, em um contexto de recrudescimento do anticomunismo durante o governo de Eurico Gaspar Dutra e de cassação do registro do Partido Comunista do Brasil (PCB).

Após deixar a presidência da UNE, Gusmão filiou-se à UDN e, posteriormente, ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), integrando o diretório regional da legenda. Durante o governo de João Goulart, exerceu o cargo de delegado regional do Trabalho em São Paulo. Em 1965, foi eleito vereador na capital paulista, mas teve seus direitos políticos cassados pela ditadura militar. Em 1979, ingressou no Partido Popular (PP), chegando a presidir o diretório paulista. Durante o governo de Franco Montoro, presidiu o Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo (BADESP) e ocupou a Secretaria de Governo. Em 1985, foi nomeado ministro da Indústria e do Comércio, no início do governo José Sarney. Roberto Herbster Gusmão faleceu em agosto de 2019, em decorrência de insuficiência respiratória.

Fontes:

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Roberto Herbster Gusmão. In: CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV CPDOC, [s. d.]. Disponível em: https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/dicionarios/verbete-biografico/roberto-herbster-gusmao. Acesso em: 4 set. 2026. 

GUIMARÃES, Genival Barbosa. Entrevista concedida a Angélica Muller, em 1 de fevereiro de 2007. Banco de História Oral do Acervo do Projeto Memória do Movimento Estudantil.

[ROBERTO Gusmão]. O Globo, Rio de Janeiro, 26 jul. 1947. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026. 

[ROBERTO Gusmão]. O Globo, Rio de Janeiro, 2 out. 1947. Acervo O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/acervo/resultado/. Acesso em: 4 set. 2026. 

ROBERTO Herbster Gusmão. In: G1. São Paulo, 18 ago. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/08/18/morre-aos-96-anos-o-ex-ministro-roberto-herbster-gusmao.ghtml. Acesso em: 4 set. 2026. 

POERNER, Arthur José. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro, Booklink, 2004.